domingo, 25 de julho de 2010

Mau hálito ou bafo - tanto faz, é ruim de qualquer jeito!

Os chiques o chamam de halitose; o povo prefere chamá-lo de bafo. De qualquer maneira, o mau -hálito pode ser considerado um dos obstáculos mais cruéis e nefastos no mundo dos relacionamentos interpessoais não virtuais : não escolhe sexo, cor, nem classe social; é um mal invisível, e, na maioria das vezes, seu "portador" não percebe quando está acometido do problema, não podendo, portanto, eliminá-lo .
Uma pessoa pode nunca ficar sabendo que, por exemplo, não arruma namorado por ter um bafo de latrina . Que amigo chega para outro, assim, "na lata", e o informa de que ele tem ou está com mau-hálito? Poucos têm esta coragem!!
Na contramão destes "vaticínios", porém, posso dizer que já tive uma amiga, na adolescência, que , apesar do cheiro de gambá que lhe saía da boca, inexplicavelmente arrumou um namorado. E este, generosamente (ou, o que é mais provável, agindo em causa própria), informou-a do problema, incentivando-a a procurar tratamento. Um "happy-end" totalmente improvável, confirmando o velho refrão de que "o amor é lindo"!... (e neste caso, foi mesmo!)
Uma coisa é certa : ninguém está livre de passar um dia com um baita de um bafão, e nem notar; todos estamos sujeitos a isso, pois não é possível que a boca de um indivíduo cheire a lavanda francesa por todos os dias de sua vida. Entretanto, analisando a questão pelo ponto de vista da vítima, ou melhor, do sujeito que, por força de alguma circunstância, tem que aturar o mau-hálito alheio, a situação me parece mais triste. Eu mesma tenho um repertório considerável de lembranças não muito felizes a este respeito.
Há uns bons anos atrás, quando eu era secretária, tive um chefe que, num dia ou noutro, vinha trabalhar com um bafo estranhíssimo, bem desagradável, e, para mal dos meus pecados, justamente nestes dias , resolvia sentar ao meu lado e ditar longos memorandos . Meu sofrimento era indescritível. E o bafo, inesquecível!!
Por falar nisso, alguém já notou que as pessoas que tem mau-hálito são as que mais gostam de falar de perto? Tive uma colega professora , daquelas que colam na gente para conversar, com quem eu sempre me encontrava após o horário do almoço. Papo vai, papo vem , toda vez que ela almoçava peixe eu ficava sabendo. E concluí, também, que ela não escovava os dentes após o almoço!!
Recentemente, quando eu achava que já tinha conhecido toda sorte de mau-hálito, visto que carrego nas costas quatro longas décadas de vida , conheci um velhinho bibliotecário que superou totalmente tudo o que eu já havia visto ( ou melhor, inalado) em termos de mau cheiro bucal . Aconteceu assim : fui à biblioteca municipal na intenção de devolver um compêndio de história da arte cujo prazo de restituição já havia expirado. Na ocasião, fui recebida pelo senhorzinho em questão, muito solícito e prestativo. Porém, logo que o homem dirigiu-me as primeiras palavras, eu tive uma intuição fortíssima de que ele havia acabado de engolir um cadáver em decomposição. O cheiro era exasperador. Quase não consegui controlar a vontade de correr dali. Os poucos minutos em que permaneci na minúscula saleta de devoluções com o sujeito me pareceram horas. Eu, involuntariamente, prendia a respiração, e, ao término do atendimento, voei, sufocando, para fora do recinto. Até hoje não encontrei palavras que possam descrever com precisão aquele cheiro infernal!!
Para terminar esse papo, voltando àquela história de que qualquer um pode ter seu dia de "boca de esgoto", confesso-lhes uma coisa : tenho o maior medão de passar por uma coisa dessas e peço à Deus que, se isso acontecer comigo , eu não faça ninguém sofrer como eu já sofri. Vai saber se eu não tenho um bafão horroroso e não estou sabendo?
Abração!!

Um comentário:

  1. Eu pelo menos nunca senti hahaha
    Ai, Deus, e o meu? Não responda, medo! É igual CC .. a pessoa fede, não sente e parece que dá um espasmo em todo fedido de querer abraçar, uó! rsrs

    São males persecutórios estes! :/

    Beijooo

    ResponderExcluir